Devaneios Alternativos

Por Thiago Sampaio

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Confira a lista de filmes do 19º Cine Ceará

Publicado por Thiago Sampaio em 15/06/2009

Cine CearáFoi divulgada a lista dos filmes selecionados para as mostras competitivas do 19 º Cine Ceará – Festival Ibero Americano de Cinema, que ocorrerá entre os dias 28 de julho e 4 de agosto, com abertura no Cine São Luiz Sesc (Centro). São oito filmes de longa metragem, sendo duas ficções e dois documentários brasileiros, um documentário argentino e ficções de México, Cuba e Peru comporão a mostra competitiva ibero americana de longas metragens.

Quinze curtas, representantes do Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Rio Grande do Sul, farão parte da mostra competitiva de curtas metragens. O melhor longa metragem do festival receberá o prêmio no valor de US$ 10 mil (dez mil dólares), escolhido por júri próprio. O festival é uma promoção da UFC, por meio da Casa Amarela Eusélio Oliveira, e Governo do Estado. A Oi e a Petrobras são patrocinadores.

Vamos lá: espera-se que nesta edição o Cine Ceará saia um pouco do lugar comum, onde tem figurado nos últimos cinco anos – aquela musiquinha que nunca é renovada, acredito que ninguém aguenta mais. A idéia de se transformar em um festival Ibero-Americano foi válida, trouxe muitos olhares para o Estado, mas ainda assim temos a impressão de estarmos diante de um festival ultrapassado.

Esperamos uma programação mais variada, e que agrade também às novas gerações de cinéfilos (estas, nunca estiveram entre os planejamentos dos organizadores), que anseiam por diversidade. A idéia de um festival só para o público mais velho ou os tradicionais “apreciadores exclusivamente de Cinema de Arte” uma hora cansa. Potencial, Wolney Oliveira e cia. tem de sobra, por isso fica a esperança.

Ah, e convidados mais ilustres (nomes como Gilberto Gil, Bill Cobbs, Patrícia Pillar, Marcelo Serrado, Caco Ciocler e Leandro Firmino da Hora já deram suas graças na Praça do Ferreira, mas quanto mais, melhor) certamente dariam um “bis” ao Estado.

PROGRAMAÇÃO

Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa Metragem:

1- Pequeno Burguês – Filosofía de Vida, de Edu Mansur (documentário, 2008, 70 min, BRASIL)
2- Se Nada Mais Der Certo, de Jose Eduardo Belmonte (ficção, 120 min, BRASIL)
3- À Deriva, de Heitor Dhalia (ficção, 2009, 103 min, BRASIL)
4- O Homem que Engarrafava Nuvens, de Lírio Ferreira (documentário, 2008, 105 min, BRASIL)
5- Haroldo Conti – Homo Viator, de Miguel Mato (documentário, 2008, 90 min, ARGENTINA)
6- Coração do tempo (Corazón del tiempo), de Alberto Cortés (ficção, 2008, 90 min, MÉXICO)
7- Os Deuses Quebrados (Los dioses rotos), de Ernesto Daranas (ficção 2008, 96 min, CUBA)
8 – O Prêmio (El premio), de Alberto Chicho Durant (ficção, 2009, 92 min, PERÚ)

Mostra Competitiva Brasileira de Curta Metragem:

1- A Montanha Mágica (Petrus Cariry, Doc, 13’, Cor, CE, 2009)
2 – Bolívia te extraño (Dellani Lima e Joacélio Batista, Exp., 7’, MG, 2009)
3 – Superbarroco (Renata Pinheiro, Ficção, 17’, PE, 2008)
4 – A Mulher Biônica (Armando Praça, Ficção, 19’, CE, 2008)
5- Silêncio e Sombras (Murilo Hauser, Animação, 9’, PR, 2008)
6- Flores em Vida (Rodrigo Marques e Eduardo Consonni, Doc., 12’, SP, 2008)
7- Leituras Cariocas Consuelo Lins (Doc., 13’, RJ, 2009)
8- Os Sapatos de Aristeu (Renê Guerra, Ficção, 17’, SP, 2008)
9- Sweet Karolynne (Ana Barbara Ramos, Exp. 15’, PB 2009)
10- Nordeste B (Mirela Kruel, Exp.,15’. RS 2008)
11- Josué e o Pé de Macaxeira (Diogo Viegas, Animação, 12’, RJ, 2009)
12- Selos Gracielly Dias, (Ficção, 15’, CE, 2008)
13- Passos no Silêncio (Guto Parente, Ficção, 17’ CE, 2008)
14- Vida Vertiginosa (Luiz Carlos Lacerda, Ficção, 15’, RJ, 2009)
15- Os Filmes que não Fiz (Gilberto Scarpa, Ficção, 16′, MG, 2008)

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Transformers 2: como um filme diverte mesmo com tantos defeitos

Publicado por Thiago Sampaio em 15/06/2009

transformers-2-poster04Na última terça-feira (23), estreou em todo o Brasil o filme “Transformers: A Vingança dos Derrotados”, com um dia de antecedência da data de estreia mundial. Pois bem, antes mesmo da chegada aqui no Brasil, já surgiam algumas críticas do longa na internet, e simplesmente todas eram negativas. Algumas mais rígidas, e outras mais ponderadas, levantando alguns aspectos positivos. Pois bem, consegui assistir ao filme antes da grande maioria dos brasileiros, em uma sessão “teste de cópia” de um cinema de Fortaleza, e, por mais que esperasse uma bomba, me surpreendi.

O filme está longe de ser uma obra-prima, é recheado de defeitos que chegam a doer, a “história” praticamente não existe, o diretor Michael Bay continua com suas manias irritantes de exagerar em tudo – principalmente nos cortes frenéticos que deixam o espectador tonto – a barulheira é  de ensurdecer, mas…diverte!

Até agora, minha crítica na internet – feita para o site Cinema com Rapadura – foi a primeira que vi a fazer uma avalização positiva. Agora, me perguntem: por que é bom mesmo com tantos defeitos? Convenhamos, estamos tratando de um longa-metragem de ação sobre alienígenas robôs gigantes que se camuflam de veículos. Pode uma premissa tão absurda ser levada a sério a ponto de cobrarem roteiro inteligente com impactos na sociedade?

Cresci brincando com aqueles carrinhos que se transformavam em robôs (por sinal, como era difícil transformá-los, e no cinema isso acontece em 2 segundos), e assistindo ao desenho. A expectativa de ver essa nostalgia transposta com atores reais em 2007, ano de estreia do primeiro filme, era altíssima e foi muito bem concretizada, por mais que aquele filme não tivesse nada demais além dos ótimos efeitos especiais. E o mesmo se repete nessa continuação! Tudo aquilo que permeava os personagens na década de 80, está de volta na continuação, em maior escala, porém sem o fator novidade ao seu favor. A ação continua sendo coisa de louco!

Assisti tentando visar o propósito a que o filme fora feito: divertir aos fãs com muita ação que foge os padrões da realidade, juntamente com a nostalgia (além de arrancar muita grana nas bilheterias, que é o principal). Sendo assim, a diversão foi mais do que garantida. E uma coisa eu garanto: não fui o único a pensar assim. Ao assistir novamente na terça-feira (como já havia ganho o ingresso, não quis desperdiçar…), ouvi muitos gritos de vibração durante a luta na floresta entre Optimus Prime, Megatron e Starscream, e ao final, havia muitos comentários de “que filme show”, ou “muito melhor que o primeiro”. Vale lembrar que era uma seção de 22h, onde só haviam adultos.

Posso até discordar das afirmações de que supera o primeiro, mas para mim, isso comprova que esse tipo de filme existem pois existe público alvo! Perdão aqueles que estufam o peito para dizer que só apreciam “cinema de arte”…

Para conferir a crítica, clique aqui. E clique aqui para conferir a do primeiro filme.

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“It Might Get Loud”: obrigatório para qualquer fã de guitarra

Publicado por Thiago Sampaio em 15/06/2009

IMGL_posterNinguém precisa ser minha namorada ou melhor amigo para descobrir que cinema e música são minhas grandes paixões. Por isso, quando estas duas vertentes se juntam, certamente a expectativa é um bom produto, tanto que alguns realmente marcaram (vide “Quase Famosos” e “C.R.A.Z.Y”). Zapeando pela internet, me deparei com este documentário abordando a evolução da guitarra durante os anos, que promete ser obrigatório para qualquer ser humano que admira um acorde do instrumento: “It Might Get Loud“, dirigido por Davis Guggenheim, do ótimo “Uma Verdade Inconveniente”.

A premissa é interessante pois foge completamente do lugar comum. A primeira coisa a se esperar seria um apanhado histórico apresentando os grandes guitarristas que já existiram, desde Chuck Berry, passando por Jimi Henrix, Eric Clapton, dentre muitos outros. Mas, qualquer figura que procurar sobre a história da guitarra pela internet ou em um livro, encontra isso fácil. O jornalista e músico Kid Vinil, por exemplo, faz isso muito bem e com linguagem simples em seu “Almanaque do Rock”, lançado em 2008 pela editora Ediouro.

A idéia de “It Might Get Loud” é impossível de ser encontrada em outro meio: reunir apenas três guitarristas, de épocas e estilos diferentes, cada um com sua devida importância. Juntos, através de um bom bate papo, troca de idéias e sons juntos, destilam suas contribuições ao rock durante o passar das décadas. E a escolha do trio não poderia ter sido melhor: Jimmy Page (Led Zeppelin), The Edge (U2) e Jack White (White Stripes).

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O jurássico Page é uma verdadeira lenda viva, responsável por, durante as décadas de 60 e 70, transformar o rock psicodélico e progressivo em algo mais pesado, dando o pontapé inicial para o heavy metal, através de riffs que ficarão eternizados até o fim dos tempos. Completo, talvez fosse a melhor definição para ele. The Edge, durante as décadas de 80 e 90, mostrou com o U2 uma fórmula de fazer um rock mais pop, através de ritmos e efeitos texturizados inéditos até então, servindo de influência para outras bandas contemporâneas como Radiohead, Coldplay, The Killers, entre outros. Um exígio produtor de singles.

Jack White, uma revelação do fim dos anos 90, é simplesmente um gênio da criatividade. Aquele adolescente de Dublin que chamou atenção com apenas dezessete anos de idade, estourou com o som indie e alternativo de sua banda, onde costuma respingar um pouco de sua rica formação em blues e country. Suas criações são curtas, cirúrgicas, precisas. Para se ter uma idéia de sua criatividade, basta conferir no trailer ele tirando  som com uma “guitarra” feita apenas com um pedaço de madeira e uma garrafa de vidro.

Acompanhar o encontro dessas três personalidades, cada uma explicando como passaram a construir seu estilo de som, deve ser uma experiência no mínimo eletrizante. Para quem toca guitarra, uma verdadeira aula. Para quem não, deverá mudar o modo simplório de como se ouve uma música, seja de heavy metal, pop ou alternativa.

O longa foi exibido no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, em setembro de 2008 e chega oficialmente aos cinemas americanos no dia 14 de agosto. Como nem tudo são flores, aí vem a notícia ruim: ainda não há previsão de estreia no Brasil. Quando chegar (e se chegar), deve ser em circuito fechado, ou sessão especial. Sou totalmente contra pirataria, mas casos como esse nos leva a reavaliar certas posições.

Confira abaixo o ótimo trailer do filme:

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Diretor de “Área Q” chega a Fortaleza para pré-produção

Publicado por Thiago Sampaio em 15/06/2009

Area Q_Nesta terça-feira (16), chega a Fortaleza o diretor do longa-metragem de ficção científica “Área Q”, Gerson Sanginitto, juntamente com sua esposa/produtora executiva/diretora de fotografia Carina Sanginitto, para visitas às locações, testes de elenco, reuniões com equipe e parceiros de co-produção.

O projeto marca a 1ª co-produção entre Ceará e Hollywood através das produtoras Reef Pictures Inc., ATC Entretenimentos e Estação Luz Filmes. A premissa é, no mínimo, curiosa: as aparições de discos voadores nas cidades de Quixadá e Quixeramobim, interior cearense. Por trás da produção, está um nome bastante conhecido da cena audiovisual da terrinha: Halder Gomes, responsável pelos ótimos curtas metragens “Cine Holiúdi – O Astista Contra o Caba do Mal” e “Loucos de Futebol”.

A idéia original surgiu em Los Angeles, onde Gerson e Carina residem, e estavam trabalhando num roteiro a ser filmado no estado do Arizona, abordando casos de regressões hipnóticas para análise de casos de abduções por extraterrestres. Mas, o bom cearense Halder chegou com a proposta de trazer a trama para seu território. “Quando falei dos casos recorrentes na região, das investigações que trouxeram especialistas internacionais, da beleza natural dos municípios e do interesse universal pelo tema, a decisão de criar uma nova história foi imediata, surgindo daí um projeto que se passa em Quixadá, Quixeramobim e Los Angeles, tendo um repórter americano no centro dos acontecimentos”, disse em entrevista ao jornal Diário do Nordeste.

E ele é mesmo convincente ao descrever o ar de mistério dos municípios: “A região tem uma beleza misteriosa, surreal até, e se ajusta muito bem a questão dos aparecimentos de naves extraterrestres, com os relatos de avistamentos e abduções sendo impressionantes. Outro fato: é impossível percorrer a região sem olhar para o céu”, completa.

themorgue-copyHalder e Gerson (na foto à direita, junto com Carina Sanginitto) são parceiros de longas datas. Halder foi produtor do longa “Beyond the Ring” dirigido por Gerson, e a dupla dirigiu junta o eficiente suspense “The Morgue” (filme de estréia da produtora Reef Pictures, criada por Gerson e sua esposa), que por decisão comercial da distribuidora, chegou ao Brasil em DVD com o infame título “Cadáveres 2”, apesar de não ser uma continuação. Agora, a parceria é retomada neste promissor “Área Q”, que também conta com Glauber Filho (“Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito”) como produtor executivo, Márcio Ramos (da premiada animação “Vida Maria”) que ficará responsável pelos efeitos especiais e a roteirista estreante Júlia Câmara.

A produção traz ao Brasil uma parceria inédita ao país: o incentivo da Panavision – através da sua matriz, em Woodland Hills – a uma realização nacional, que se associou ao projeto fornecendo temporariamente um dos mais avançados equipamentos de câmeras de alta definição do mundo, a Gênesis. Tal tecnologia fora utilizada em filmes como “Superman – O Retorno”, “Déja Vu” e “Apocalypto”. “Área Q” simboliza o marco de uma luta pessoal de quase 10 anos para provar aos investidores/produtores internacionais que o Ceará tem potencial para tornar-se um pólo atrativo para produções estrangeiras”, diz Halder Gomes.

Aqui entre nós: se o trabalho for bem feito (algo que, vindo de Halder existe grande possibilidade), certamente pode ser um grande marco para o cinema brasileiro e do Ceará, exibindo o território de uma maneira inédita até então, podendo estimular novas produções aqui. Agora, existe também a possibilidade de o trabalhar virar mais uma produção B ao estilo Ed Wood, expondo o Estado ao ridículo, estimulando apenas as piadas. Afinal, a temática ao mesmo tempo em que é promissora, tem margem para esses riscos. Sou confiante e acredito na primeira opção.

As filmagens começam no dia 8 de setembro.

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