Ninguém precisa ser minha namorada ou melhor amigo para descobrir que cinema e música são minhas grandes paixões. Por isso, quando estas duas vertentes se juntam, certamente a expectativa é um bom produto, tanto que alguns realmente marcaram (vide “Quase Famosos” e “C.R.A.Z.Y”). Zapeando pela internet, me deparei com este documentário abordando a evolução da guitarra durante os anos, que promete ser obrigatório para qualquer ser humano que admira um acorde do instrumento: “It Might Get Loud“, dirigido por Davis Guggenheim, do ótimo “Uma Verdade Inconveniente”.
A premissa é interessante pois foge completamente do lugar comum. A primeira coisa a se esperar seria um apanhado histórico apresentando os grandes guitarristas que já existiram, desde Chuck Berry, passando por Jimi Henrix, Eric Clapton, dentre muitos outros. Mas, qualquer figura que procurar sobre a história da guitarra pela internet ou em um livro, encontra isso fácil. O jornalista e músico Kid Vinil, por exemplo, faz isso muito bem e com linguagem simples em seu “Almanaque do Rock”, lançado em 2008 pela editora Ediouro.
A idéia de “It Might Get Loud” é impossível de ser encontrada em outro meio: reunir apenas três guitarristas, de épocas e estilos diferentes, cada um com sua devida importância. Juntos, através de um bom bate papo, troca de idéias e sons juntos, destilam suas contribuições ao rock durante o passar das décadas. E a escolha do trio não poderia ter sido melhor: Jimmy Page (Led Zeppelin), The Edge (U2) e Jack White (White Stripes).

O jurássico Page é uma verdadeira lenda viva, responsável por, durante as décadas de 60 e 70, transformar o rock psicodélico e progressivo em algo mais pesado, dando o pontapé inicial para o heavy metal, através de riffs que ficarão eternizados até o fim dos tempos. Completo, talvez fosse a melhor definição para ele. The Edge, durante as décadas de 80 e 90, mostrou com o U2 uma fórmula de fazer um rock mais pop, através de ritmos e efeitos texturizados inéditos até então, servindo de influência para outras bandas contemporâneas como Radiohead, Coldplay, The Killers, entre outros. Um exígio produtor de singles.
Jack White, uma revelação do fim dos anos 90, é simplesmente um gênio da criatividade. Aquele adolescente de Dublin que chamou atenção com apenas dezessete anos de idade, estourou com o som indie e alternativo de sua banda, onde costuma respingar um pouco de sua rica formação em blues e country. Suas criações são curtas, cirúrgicas, precisas. Para se ter uma idéia de sua criatividade, basta conferir no trailer ele tirando som com uma “guitarra” feita apenas com um pedaço de madeira e uma garrafa de vidro.
Acompanhar o encontro dessas três personalidades, cada uma explicando como passaram a construir seu estilo de som, deve ser uma experiência no mínimo eletrizante. Para quem toca guitarra, uma verdadeira aula. Para quem não, deverá mudar o modo simplório de como se ouve uma música, seja de heavy metal, pop ou alternativa.
O longa foi exibido no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, em setembro de 2008 e chega oficialmente aos cinemas americanos no dia 14 de agosto. Como nem tudo são flores, aí vem a notícia ruim: ainda não há previsão de estreia no Brasil. Quando chegar (e se chegar), deve ser em circuito fechado, ou sessão especial. Sou totalmente contra pirataria, mas casos como esse nos leva a reavaliar certas posições.
Confira abaixo o ótimo trailer do filme: